Reciclagem
Reciclagem de óleos lubrificantes no Brasil PDF Imprimir E-mail

O re-refino de óleos minerais lubrificantes permite que o produto já utilizado seja transformado em óleos básicos, e novamente como matéria-prima. No entanto, de todo o óleo utilizado no país, apenas cerca de 24% é reciclado

O óleo lubrificante é um dos poucos derivados de petróleo que não é totalmente consumido durante o uso. Porém, a utilização contínua nos motores causa sua degradação. E a cada troca, resta sempre um volume de óleo usado capaz de provocar sérios danos ambientais.

Apenas para ilustrar, uma tonelada de óleo lubrificante não reciclado tem carga poluidora equivalente à gerada por aproximadamente 40 mil habitantes. Segundo informações da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), um único litro de óleo é capaz de esgotar o oxigênio de um milhão de litros de água. O óleo forma, em poucos dias, uma fina camada sobre uma superfície de mil metros quadrados, o que bloqueia a passagem de ar e luz e impede a fotossíntese. Por outro lado, a queima indiscriminada do óleo lubrificante usado, sem tratamento prévio de desmetalização, gera emissões significativas de óxidos metálicos, além de outros gases tóxicos, como a dioxina e óxidos de enxofre.

Apesar de todo este potencial poluidor, boa parte do óleo usado ainda não é reciclada de forma adequada (o óleo deve passar por um processo de re-refino que remove os produtos oxidantes, aditivos e contaminantes). De acordo com dados do Sindirrefino (Sindicato Nacional da Indústria do Re-refino de Óleos Minerais), em 2003 foram consumidos mais de 1,03 bilhão de litros de óleo lubrificante no país, e apenas 250 milhões de litros (ou 24,20%) foram coletados para reciclagem. Os números de 2004 ainda não estão fechados, mas aproximam-se desta média. O sindicato estima que o consumo tenha sido da ordem de 1,032 bilhão de litros, dos quais 240 milhões de litros foram coletados.

Nos últimos anos, a quantidade de óleos encaminhada para re-refino aumentou de forma significativa, mas ainda há muita perda. Falta consciência da população – que troca, por exemplo, o óleo do seu veículo e despeja em locais não apropriados – e das empresas não cadastradas junto à ANP (Agência Nacional do Petróleo), que fazem a troca e não encaminham o produto usado para o destino adequado.

A reciclagem do óleo usado é definida pela Resolução 9 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), de 1993. Em 1993, apenas 11,46% do óleo consumido no Brasil era encaminhado para reciclagem. Depois da edição da resolução, muitas empresas passaram a se preocupar mais com a reciclagem, e os índices de óleo coletado aumentam ano a ano.

A Resolução 9 estabelece que o lubrificante usado ou contaminado deve obrigatoriamente ser recolhido e ter destinação adequada, de forma a não afetar negativamente o meio ambiente, e proíbe quaisquer descartes em solos, águas subterrâneas, no mar e em sistemas de esgoto ou evacuação de águas residuais. Além disso, proíbe a queima e a incineração sem permissão governamental, pois isto representaria a destruição de frações nobres de petróleo que se encontram no lubrificante usado.

A fiscalização da coleta de lubrificantes usados cabe à ANP, mas tem suas falhas. De qualquer forma, é importante lembrar que o descarte inadequado do produto é crime ambiental. No caso dos postos revendedores, é necessário armazenar o óleo usado em locais adequados, protegidos contra vazamentos, e encaminhar a empresas de coleta e reciclagem.

As empresas de coleta compram o óleo usado dos postos de revendedores e, em volumes grandes, a venda representa uma renda a mais. Mas mesmo que o valor de compra seja pequeno, o mais importante é o posto estar em conformidade com a lei. Porém, há casos em que os revendedores têm dificuldades em encontrar empresas coletoras. Postos localizados em regiões de difícil acesso ou com pouco volume de óleo usado não conseguem encontrar coletoras interessadas em retirar o produto.

A solução para este problema, segundo Bastos, seria o revendedor armazenar o óleo por mais tempo, até ter uma quantidade que justifique a coleta. O óleo usado é coletado em caminhões, que vão ao local especificamente com esta finalidade. Dependendo do caso, a retirada do produto pode não ser viável economicamente. Assim, o ideal seria oferecer quantidades maiores do produto para as coletoras.

Fonte:  http://www.fecombustiveis.org.br

Atualizado: Dom, 05 de Abril de 2009 00:57